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06 abril 2015

Só a manutenção de nossa burrice garante longevidade à má política

Olhando pelo retrovisor, devemos reconhecer que, em matéria de acesso à educação formal, progredimos. A rede pública de ensino, por exemplo, a despeito dos casos notórios de penúria e abandono, mitigou – na última década – as consequências de um sistema que se notabilizou pela exclusão e por negligenciar uma política universalizada. Mais recentemente, é preciso admitir que – apesar das muitas ressalvas – a expansão do ensino médio em tempo integral representou outro importante passo. Uma conquista da sociedade.


Mas vejo, hoje, que é preciso avançar mais. As demandas são outras. São novos tempos que, infelizmente, se contrapõem a velhas práticas. Modelos que há muito não nos servem, mas que insistimos neles sem contestação. Estão na poeira de maus hábitos que, por se tornarem rotina e parte da paisagem, não são notados. É a calçada costumeiramente invadida. É o toque de recolher que não está inscrito em nenhuma regra, mas que entendemos, mantendo-nos confinados. Direitos, a prestação, sendo violados.

Pouquíssima gente percebe isso. E quem nota, hesita, porque dá trabalho. O aceitar parece ser o caminho mais fácil.

Não tem sido o meu caso. Por isso coleciono rótulos. Há quem colecione selos, sapatos, discos. Eu coleciono rótulos. Alguns, impublicáveis. É o que fazem com os subversivos, com os que se insurgem.

Não posso considerar normal ter à frente de uma Secretaria de Educação de um estado como Pernambuco alguém que não tenha passado pela experiência, a dolorosa experiência das nossas salas de aula-insalubres, quentes, lotadas. Quem assume tão importante posto não pode restringir-se à burocrata função de ordenador de despesas, à tarefa técnica e contábil de uma empresa que tem como obsessão apenas os números – ainda que maquiados.

Não é normal, também, que as GRE’s – esse aparelho carcomido e ultrapassado – sirvam de cabides a quem delas se utilizam, dependurando sem o menor escrúpulo amigos e familiares (nem sempre nessa ordem). Em tempos de T.I., é razoável que – da própria sede – se dê conta do recado. Economiza-se com combustível, diárias, energia elétrica, água, papel, gratificações, entre outros gastos que deveriam compor aquilo que realmente importa: uma melhor alimentação escolar para os nossos estudantes, uma remuneração digna para os nossos professores.

Outra coisa: já pararam para pensar na quantidade de prédios locados, e inoperantes, mas que custam enormes somas de dinheiro público, todos os anos, APENAS para garantir que seus proprietários – por razões estranhamente desconhecidas – mantenham-se desfrutando da máquina? Pois é. E a alimentação escolar produzida sem nenhum esmero, hein?! Alimento que não desperta o paladar é dinheiro jogado pelo ralo. Que tal investir mais em qualidade e economizar mais ao evitar o desperdício?

E o que fazem os profissionais cedidos pelas prefeituras, ao Estado, quando não cumprem expediente (com a anuência de gestores que derramam o dinheiro público, ao patrocinarem tamanha farra), mesmo percebendo sua remuneração através de verba federal – o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (o Fundeb)? Educação é isso mesmo? É compadrio? É a teoria sem prática? É o nepotismo descarado dos que confraternizam com vinho e uísque de receptação duvidosa?

Do jeito que está aí, não dá! Não podemos manter esse modelo de adulação permanente à custa dos nossos impostos. Por favor! Ter que dizer AMÉM a tudo isso é dose. Porque EDUCAÇÃO não é isso, gente! Isso é a névoa. É a poeira que anestesiou os nossos olhos, de tal modo que a vemos como parte integrante da tal paisagem, onde o que vale não é a meritocracia, mas sim o quanto de votos se conseguiu para o governante da ocasião, ou até mesmo – o tanto de reuniões partidárias em que se precisou ir para engrossar aplausos.

OLHA, não sou grevista. E, em quase 9 anos, como servidor público do Estado de Pernambuco, vinculado à Secretaria Estadual de Educação, nunca participei ou aderi a uma greve, sequer. Não digo isso com orgulho. É que não tenho mesmo simpatia pela ferrugem que invadiu esse instrumento, nesta nossa REPÚBLICA DAS BANANAS. Mas, olha… sinto que precisamos fazer algo…, ao menos reafirmar o que não é novidade: que a EDUCAÇÃO está longe de ser uma prioridade para este governo.

Quem disse que político – com raríssimas exceções – quer povo inteligente, socialmente crítico, autônomo, protagonista?! Quer nada! Quer coisa nenhuma!

E é simples: porque eles descobriram, há muitos anos, que só a manutenção de nossa BURRICE garante longevidade a eles.PENOTÍCIAS

Segunda, 06 de abril de 2015 - Postado por Elismar Rodrigues

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1-Não julgueis, para que não sejais julgados. 2-Pois com o critério com que julgardes, sereis julgados; e com a medida que usardes para medir a outros, igualmente medirão a vós. …

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