A
fim de atrair consumidores sem acesso ao cartão de crédito ou que têm
receio de fazer uma transação online, o varejo vem investindo em
novidades no e-commerce. Agora, já é possível fazer compras pós-pagas,
nas quais o consumidor só paga pela mercadoria depois de recebê-la. Além
disso, para aumentar a confiança do comprador na transação, lojas têm
adotado pagamentos autenticados em que a finalização da compra ocorre no
ambiente virtual do banco do consumidor.
Atualmente,
mais de 120 milhões de brasileiros têm acesso à internet. Porém, menos
da metade (51,5 milhões) fez compras online em 2014. “Milhões de pessoas
usam a internet de forma cotidiana, mas não compram nada. Um dos
entraves é a questão da segurança”, diz Marcos Cavagnoli, CEO da Koin,
empresa que está implantando o pagamento pós-pago no Brasil com base no
que ocorre na Europa, onde o modelo representa 40% dos pagamentos no
e-commerce.
A
ideia é trazer lógica para um negócio feito pelo ponto de vista do
comerciante. “É intrínseco ao ser humano pagar depois que consumiu algo.
Na loja física é assim, mas a venda online nasceu na lógica inversa ao
pensar ‘como vou enviar o produto se eu não conheço quem está
comprando’”, diz o executivo.
O
trabalho de verificação do risco de fraude fica com a Koin. Em lojas
virtuais que oferecem o pagamento pós-pago, o consumidor preenche o
cadastro básico com os dados e a Koin faz uma pesquisa em mais de 30
bancos de informação para checar o risco de aprovar a transação. Se
aprovada, o consumidor recebe o produto e pode optar por pagar à vista
ou via boleto.
“Não é
só uma experiência pós-paga na compra online. É uma espécie de crédito,
pois autorizamos a realização do negócio até um limite financeiro e o
pagamento só ocorrerá no futuro”, diz Cavagnoli. A empresa não revela a
taxa de inadimplência, mas garante que ela fica próxima à do varejo
comum.
A solução
começou a ser implantada em maio de 2014 e conta com 200 lojas, mas a
previsão é encerrar o ano com 10 mil comércios. Como parte da estratégia
para alcançar a meta, em março foi fechada uma parceria com a VTEX,
plataforma de e-commerce que possui mais de 1,2 mil lojistas. “A
expectativa é de que 15% a 20% da base de clientes passem a utilizar a
ferramenta”, diz Mariano Gomide, co-CEO da VTEX. “Ela não dá acesso só à
pessoa que desconfia da internet, mas a quem não tem cartão.”
Autenticação
Outro
modelo que começou a ser usado mais fortemente a partir da virada do
ano é a compra por débito com autenticação no site do banco. “O
consumidor coloca os dados do cartão e aparece uma tela do banco para
ele pôr a senha e comprovar que está realizando a transação. É uma etapa
a mais, mas diminui significativamente a ocorrência de fraude”, explica
o diretor da Lyra Network, Jerome Pays. Por meio da solução PayZen, a
Lyra faz a segurança de dados nesta operação.
Na
indústria, o processo é chamado de 3d Secure (três domínios seguros),
pois conta com a atuação do banco, da empresa adquirente (como a Cielo) e
da bandeira (Visa ou Mastercard). Por serem fortes, as marcas das
bandeiras trazem uma imagem de segurança para o consumidor, segundo
Pays.
Assim como o
pagamento pós-pago, a ideia da solução autenticada é trazer algo do
mundo físico para o virtual. “Na loja, para o cartão de débito ser
aceito é preciso colocar uma senha do banco. O cruzamento desta com os
dados do chip diminui o risco de fraude”, diz Pays. Já no caso das
vendas online, a maioria das compras é feita no crédito. “Não requer
autenticação. Por isso tem tanta fraude.”
A
loja que utiliza o pagamento autenticado pode optar por também
implantá-lo no cartão de crédito, mas no débito ele é obrigatório. Em
países como França e Inglaterra, quase um terço das compras já são
autenticadas. No Brasil, o pagamento é muito utilizado por companhias
aéreas e agora os grandes varejistas estão em fase de implantação. “Não
digo que o consumidor hoje consiga comprar só em lojas com autenticação
porque assim ele vai se restringir a 50 estabelecimentos, digamos. Mas
certamente quando mais varejistas adotarem a solução, ela pode ser um
filtro para garantir uma compra mais segura”, diz Pays.
Melhora do serviço
Para
a Fundação Procon-SP, a desconfiança do consumidor nas compras online
passa pelo risco de fraude, mas também é uma mazela do próprio setor. “O
comércio eletrônico sofre problemas que ele mesmo causou. O consumidor
tem receio de comprar porque não tem certeza que vai receber o produto e
se haverá atraso”, afirma a assessora técnica Fátima Lemos. No último
balanço da fundação, 35% das reclamações foram de problemas de falta de
entrega ou atraso.
O
Procon-SP diz que, mesmo que procedimentos de maior segurança e
facilidade sejam adotados, cuidados básicos não podem faltar. “Sempre
devemos checar a página de navegação e não clicar em links recebidos no
e-mail”, recomenda Fátima. A técnica também lembra da necessidade de
guardar os e-mails das ofertas e cópias de toda a compra.
O
Código de Defesa do Consumidor prevê um prazo de até sete dias após o
recebimento do produto para o consumidor desistir da compra. Fraudes são
analisadas caso a caso, mas se o golpe tiver sido realizado no site da
loja, a responsabilidade é do comerciante.
Fonte: Folha-PE
Segunda, 06 de abril de 2015 – Postado por Elismar Rodrigues

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